Fandoms e torcidas se mobilizam em campanha política em 2026

A mobilização digital dos fandoms e torcidas ganhou destaque nas eleições presidenciais de 2026. Mais de 600 grupos de fãs se organizaram para apoiar a campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais.

Após o primeiro turno, marcado por uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, os fandoms transformaram plataformas digitais em espaços de ativismo político. Eles utilizaram estratégias tradicionais do universo pop para engajar a população nas questões políticas do país.

O relatório “Fandoms em Ação”, do Cultpop Lab da Universidade Federal Fluminense, revelou como movimentos ligados à cultura pop, como K-pop e coletivos de futebol, foram fundamentais na mobilização em torno da candidatura de Lula. O estudo analisou 6.500 publicações nas redes sociais, facilitando um entendimento sobre a dinâmica dessas comunidades.

O papel dos fandoms nas eleições de 2026

A mobilização digital de comunidades de fãs, amplamente conhecidas como fandoms, ganhou destaque em 2026, especialmente no contexto das eleições presidenciais. Após o primeiro turno em 4 de outubro, mais de 600 grupos de fãs se organizaram para promover a candidatura à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa mobilização coincidiu com uma disputa acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro, que liderou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.

O relatório Fandoms em Ação, elaborado pelo Cultpop Lab da UFF, analisa a participação desses grupos no debate eleitoral e destaca como a cultura pop se entrelaçou com a mobilização política. As táticas usadas incluíram campanhas coordenadas, produção de conteúdos, e ações coletivas, que foram fundamentais para engajar os eleitores e ampliar a presença política nas redes sociais.

O estudo identificou o uso de hashtags, memes, e vários formatos de conteúdo visual, associados a artistas como Beyoncé e Taylor Swift, além de coletivos de K-pop e grupos de torcedores de futebol. Com aproximadamente 6.500 publicações monitoradas, só na primeira fase de coleta, e uma segunda fase que incluiu a seleção de 180 postagens, as comunidades mostraram sua força nas plataformas digitais.

União de torcidas em defesa da democracia

A mobilização dos fandoms também se refletiu em um fenômeno interessante: a união de torcidas rivais do futebol em apoio a pautas democráticas. Grupos de torcedores, como o Coletivo Democracia Corinthiana e o Palmeiras Antifascista, trabalharam juntos em prol da candidatura de Lula, utilizando a força de suas arquibancadas para fortalecer a mensagem política.

Um marco dessa colaboração foi um ato realizado em São Bernardo no dia 17, que contou com a participação de figuras políticas como o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), e a vereadora de Diadema Patty Ferreira (PT). Essas interações entre torcidas rivais destacaram pontos de convergência em suas ideologias, como a identificação com a classe trabalhadora e a defesa de direitos sociais.

Entretanto, a mobilização de torcedores não implica na aceitação institucional dos clubes, como revelado por apurações do Projeto Comprova. Embora Corinthians, Palmeiras e Atlético-MG tenham reafirmado uma postura de neutralidade partidária, a participação do público em atos políticos não indica necessariamente apoio oficial dos clubes.