A marca Maldito, criada por Francisco Terra, se destaca ao unir fantasia, cultura pop e alfaiataria, promovendo um olhar onírico e inovador para a moda.
A história por trás do nome Maldito
O nome da marca Maldito tem origem em uma memória da infância de seu fundador, Francisco Terra. Ao tentar criar um look para o carnaval, ele “roubou” um sobretudo dourado do guarda-roupa da avó, que rapidamente reagiu chamando-o de: “Maldito, maldito”. Essa reminiscência não só ecoa um momento divertido, mas também se conecta ao preconceito que a comunidade LGBTQIAPN+ enfrenta, já que muitos desse grupo recebem essa mesma palavra como um rótulo pejorativo.
Com a proposta de transformar essa carga negativa em algo positivo, Francisco lançou sua grife Maldito Paris em 2022, logo após a pandemia, com a intenção de trazer uma estética mais onírica e inclusiva para a moda.

Francisco Terra e sua visão criativa
Francisco Terra, um mineiro que vive em Paris, tem uma vasta experiência no mundo da moda, tendo trabalhado com grandes nomes como Givenchy e Carven. Ele promoveu um desfile inovador em São Paulo, inspirado no famoso baile do Metropolitan Museum of Art de Nova York. Esse evento, nomeado “Mete bala”, incorporou elementos do carnaval brasileiro e da alta-costura, criando uma fusão de cultura pop, fetichismo e fantasy.
Para Francisco, a ideia de lançar a Maldito surgiu em um momento em que ele percebeu a necessidade de uma abordagem mais sonhadora na moda. Ele busca criar peças que não só atraem a atenção por sua estética, mas que também promovem uma mensagem de inclusão e aceitação, defendendo que as roupas devem refletir a identidade e os sentimentos dos indivíduos que as usam.
O impacto das coleções no cenário da moda
As coleções da Maldito têm sido amplamente aclamadas, tanto pela crítica quanto pelos consumidores. Francisco se distanciou do que é convencional na moda, focando em criações que oferecem uma verdadeira experiência estética, em vez de apenas produtos comercializáveis.
Consultores de moda têm destacado que as peças trazem um sentimento de identificação e pertencimento. Rogério S. Leandro Porto, que trabalhou no styling dos desfiles, enfatiza que a coleção busca traduzir em roupas imagens que muitas pessoas apenas sonhavam em ver materializadas. Assim, a Maldito não se limita à moda; ela se transforma em um movimento que celebra a individualidade e a diversidade.
Em um mercado onde a moda é muitas vezes superficial, a proposta da Maldito é transformar e tornar tangíveis os sonhos de moda de uma nova geração. Francisco Terra continua a se destacar, não apenas pela estética de suas criações, mas também pela profundidade emocional que elas proporcionam.

Jornalista formada pela UNIP (2009) e formada em Rádio e TV pelo Centro Universitário Monte Serrat – UNIMONTE (2007).


