Zara Larsson: ‘Espero nunca chegar ao ponto de perder minha essência apenas por causa de dinheiro’

Em entrevista ao Popcast, programa de conversas sobre cultura pop, Zara Larsson disse esperar não perder a própria essência por dinheiro. Aos 28 anos, a cantora sueca também falou sobre sucesso e relevância cultural.

Nascida em Estocolmo, Larsson venceu o reality show “Sweden’s Got Talent” aos 10 anos. Desde então, passou por diferentes fases da indústria pop, de intérprete de músicas dance a artista autoral.

Na conversa com Jon Caramanica e Joe Coscarelli, a cantora abordou sua trajetória entre a Suécia e os Estados Unidos. A entrevista foi publicada em 20 de outubro de 2026.

Zara Larsson

O relato trata da relação entre expressão pessoal e carreira, da construção de uma identidade artística e dos efeitos de declarações públicas. Larsson também comenta a retomada de “Lush Life”, single lançado em 2015, e a recepção de seu trabalho recente.

Da vitória em reality à retomada do sucesso pop

Na entrevista, Zara Larsson atribuiu a nova fase da carreira à combinação entre suas habilidades como cantora e dançarina e uma presença mais espontânea. A edição de luxo “Girls Trip”, lançada em 2025 como expansão do álbum “Midnight Sun”, renovou o interesse por várias faixas.

O projeto também reuniu colaborações com Tyla, Kehlani e Shakira. Para Larsson, esses movimentos se somaram à repercussão de “Lush Life”, single de 2015 que voltou a ganhar força com o TikTok e alcançou seu melhor momento no cenário pop.

A cantora descreveu a diferença entre acumular sucessos e conquistar relevância cultural como uma questão de identidade artística. Segundo ela, gosta de muitos estilos e gêneros, mas essa variedade dificultava decidir qual direção seguir.

Larsson avaliou que artistas precisam refinar o próprio trabalho para que o público consiga reconhecê-los. Antes da fase atual, disse, não tinha uma imagem definida, embora algumas pessoas tenham interpretado a mudança recente como uma transformação de imagem.

Expressão pessoal e construção de uma identidade artística

Antes de lançar músicas na Escandinávia, Larsson mantinha um blog e já era conhecida por participar de debates em jornais e na televisão sueca. Ela contou que, nos Estados Unidos, parte do público não conhece esse início, enquanto na Suécia sua imagem sempre esteve ligada tanto à música quanto à personalidade pública.

A cantora afirmou que sempre teve vontade de se expressar e compartilhar opiniões. Antes de direcionar essa energia à música, também apresentou podcasts sozinha, com a irmã e com a melhor amiga.

Essa disposição contrastava, segundo Larsson, com a cultura de discrição que encontrou na Suécia e com as origens de seus pais, vindos de cidades pequenas e mais conservadoras. Ela recordou que, aos 14 ou 15 anos, dividia os dias entre a escola e o estúdio e recusava convites de amigos para trabalhar em música, algo que lhe parecia constrangedor.

Larsson disse que sempre acreditou ter potencial para se destacar e citou Beyoncé como sua maior referência, além de Whitney Houston, Céline Dion e Christina Aguilera. Começar tão jovem também significou trabalhar com adultos e não escrever as próprias canções; mais tarde, passou a colaborar com amigos de sua geração, comprou os direitos das gravações originais e montou uma nova equipe.

Posicionamentos políticos e os limites diante do dinheiro

Larsson contou que já perdeu trabalhos depois de se manifestar a favor do direito ao aborto e sobre Gaza. No começo da carreira, disse que não se preocupava com a possibilidade de marcas ou empresas deixarem de trabalhar com ela, pois ainda não tinha essas oportunidades.

Com o crescimento dos valores envolvidos, a cantora passou a reconhecer um risco diferente: o de se autocensurar diante de propostas maiores. Ela explicou que pode pensar no que aceitaria financiar com o dinheiro, como cinco videoclipes, mas afirmou esperar não abrir mão de quem é por causa de ganhos financeiros.

Na conversa, Larsson relacionou a liberdade de falar sobre temas controversos à possibilidade de encontrar um público que se identifique com suas opiniões. Ela disse preferir essa conexão a tentar agradar pessoas que não compartilham sua maneira de se expressar.