Crescimento no consumo cultural presencial
O consumo cultural presencial no Brasil tem mostrado um crescimento significativo, refletido no aumento do interesse por diversas atividades, entre elas, os shows e consumo cultural. Segundo a sétima edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha, 88% dos entrevistados participaram de alguma atividade cultural ao longo dos últimos 12 meses, um aumento em relação aos 84% registrados em 2025.
Entre as atividades mais frequentadas, os shows de música se destacaram com uma alta de 51% na adesão, comparado aos 45% do ano anterior. Além disso, as visitas a centros culturais e museus também apresentaram crescimento, subindo de 26% para 32% e de 16% para 21%, respectivamente. As exposições de arte, por sua vez, contaram com a participação de 31% do público, um avanço de quatro pontos percentuais.
Eventos ao ar livre têm atraído uma enorme quantidade de pessoas, com 63% dos entrevistados marcando presença. As festas populares e folclóricas foram citadas por 45% dos participantes. O cinema, apesar de uma boa participação, permaneceu estável, com 39% da população assistindo a filmes nas salas, assim como as atividades infantis, que foram mencionadas por 37% do público.

Acessibilidade e desigualdade no acesso à cultura
A pesquisa também evidenciou disparidades significativas no acesso à cultura, especialmente quando se considera a classe social dos participantes. Enquanto 97% dos entrevistados das classes A e B participaram de pelo menos uma atividade cultural, apenas 82% das classes D e E tiveram a mesma experiência. Esta desigualdade é ainda mais notável no que diz respeito ao cinema, onde 63% das classes A e B frequentaram salas de exibição, em contraste com apenas 18% das classes D e E.
As diferenças persistem em relação a outros eventos culturais, como teatro e shows. No teatro, a participação é de 41% nas classes mais altas em comparação com 17% nas clases D e E. Nos shows, 64% das classes A e B compareceram a eventos, contra 42% das classes D e E. Além disso, a pesquisa destacou que 33% dos brasileiros acreditam não ter equipamentos culturais disponíveis em sua região, mesmo com 40% afirmando ter participado de atividades culturais próximas ao seu bairro nos últimos 12 meses.
As ruas e praças levantam-se como os locais mais utilizados para atividades culturais, seguidas por igrejas, parques e shoppings. A falta de infraestrutura e os custos das atividades continuam a ser barreiras significativas para a participação de mais brasileiros nos eventos de shows e consumo cultural.

Jornalista formada pela UNIP (2009) e formada em Rádio e TV pelo Centro Universitário Monte Serrat – UNIMONTE (2007).


