Marcelino Freire e José Falero debatem problemas sociais no fim de semana da Feira do Livro de Caxias do Sul

Bate-papo com Marcelino Freire

O segundo fim de semana da 42ª Feira do Livro de Caxias do Sul será marcado por diálogos que abordam questões urgentes da literatura e da sociedade. Um dos destaques é o pernambucano Marcelino Freire, que participará da atividade intitulada “O Nascimento da Palavra”. Este evento, que acontecerá no sábado (10), às 16h, contará com a mediação da escritora Jaqueline Pivotto e abordará as raízes da oralidade nordestina que inspiram a obra de Freire. “Falarei do sertão pernambucano, de onde vim”, anuncia o autor, evidenciando suas referências culturais e sociais.

Freire utiliza sua literatura para explorar os problemas sociais enfrentados por grupos marginalizados e discutir as dores da exclusão. Este enfoque é uma constante em seus trabalhos, em especial no recente romance “Escalavra”, que narra as experiências de pai e filho em um contexto socioeconômico desafiador. Sua fala buscará resgatar a identidade e a resistência daqueles que vivem à margem.

Conversa com José Falero

No domingo (11), a programação receberá o escritor gaúcho José Falero, que participará do bate-papo “Litera-Rua: a palavra que resiste”. A conversa, mediada pelo rapper caxiense Chiquinho Divilas, abordará a produção literária de Falero, fortemente influenciada pelos problemas sociais que afetam o cotidiano dos personagens em suas obras. “As tensões sociais que exploro são a própria essência da minha escrita”, destaca o autor, que reflete sobre sua trajetória e os desafios enfrentados pela população nas áreas periféricas da cidade.

problemas sociais

A amizade frutífera entre Freire e Falero será um ponto central das discussões no evento. Ambos se admiram mutuamente e reconhecem a importância de retratar, através de suas narrativas, as realidades que cercam aqueles que são frequentemente silenciados. Nesta relação, Falero afirma: “Eu escrevo para me vingar; eu e Freire fazemos parte de uma vingança coletiva”, ressaltando a responsabilidade que sentem em discutir questões como a violência e a desumanização que permeiam a sociedade.

Amizade e admiração entre os escritores

Além de compartilhar o espaço na feira, Marcelino Freire e José Falero fomentam um intercâmbio literário em que leem trechos de suas obras antes da publicação. Este suporte mútuo é uma forma de fortalecer a ‘vingança coletiva’ que ambos mencionam, algo que vai além da literatura e direciona para mudanças sociais. Freire, com sua visão sobre a oralidade e as tradições do sertão, e Falero, que traz a vivência da violência urbana e da masculinidade tóxica, se unem na missão de dar voz aos que não são ouvidos.

Os dois autores, apesar de suas diferentes origens, possuem um propósito comum: evidenciar na literatura as lutas de indivíduos diante das sistemáticas de opressão. Falero, em sua obra “Vera”, expõe a dura realidade enfrentada pelas mulheres na periferia, enquanto Freire dá vida a personagens que enfrentam as complexidades da pobreza no sertão. Juntos, eles se tornam porta-vozes de uma geração que anseia por reconhecimento e transformação.

Temas sociais abordados nas obras

As obras de Marcelino Freire e José Falero não se limitam apenas a contar histórias, mas sim a revelar problemas sociais que necessitam de atenção e ação. Com sua escrita, eles expõem a realidade de pessoas que, muitas vezes, são invisibilizadas na sociedade. A abordagem desses problemas sociais é a espinha dorsal da literatura desses autores, servindo não apenas como um reflexo da sociedade, mas também como uma crítica e um chamado à ação.

Falero argumenta que é necessária uma mudança de foco nas narrativas que cercam a violência urbana, questionando a perpetuação da chamada “história única” que redunda em estereótipos e desumanização. Ele exemplifica dizendo que, enquanto a sociedade se concentra apenas nos efeitos da violência, como a questão da maioridade penal, ignora as causas profundas que a geram. A literatura, nesse sentido, torna-se uma importante ferramenta para repensar e reimaginar as narrativas que formam nossa percepção sobre o outro.

Em suma, a participação de Freire e Falero na feira representa uma oportunidade única para discutir como a literatura pode servir como um meio de conscientização sobre os problemas sociais. O evento proporcionará um espaço para que esses escritores exponham suas visões e promovam reflexões sobre a importância de ouvir e contar as histórias dos que vivem à margem.