Fotogracria registra a vida e a cultura de dentro da Rocinha

A História de Kimberly Daniella

Kimberly Daniella Katrine Romano Duarte, conhecida pelo seu pseudônimo Fotogracria, nasceu e cresceu na Rocinha, uma das favelas mais emblemáticas do Rio de Janeiro. Desde muito jovem, Kimberly vivenciou a diversidade cultural e os desafios típicos de sua comunidade. Essa vivência moldou tanto sua identidade quanto sua arte. Em 2018, iniciava sua jornada fotográfica, utilizando um celular Galaxy J2 que lhe foi emprestado. “Era uma câmera modesta, mas como um amigo sempre diz: a melhor câmera é a que você tem à disposição”, recorda ela, agora aos 28 anos.

O Início da Fotografia

O primeiro passo de Kimberly no universo da fotografia foi impulsionado por tutoriais do YouTube e cursos online. Com dedicação e curiosidade, ela aprendeu a manusear sua câmera, desenvolvendo suas habilidades ao longo do tempo. Com o passar dos anos, a simples experiência inicial se transformou em uma paixão firme, levando-a a investir em equipamentos de qualidade superior, como uma Pentax 67 analógica. “Revelar um filme é trabalhoso, mas a satisfação que isso traz é incomparável”, diz ela, deixando claro o quanto valoriza cada momento do seu processo criativo.

O Olhar da Fotogracria

O olhar de Kimberly se destaca pela forma como retrata a vida nas favelas, sempre capturando a essência e a beleza das pessoas e dos cenários que a cercam. Ao invés de buscar paisagens grandiosas, ela encontrou sua voz artística nos becos e ruas da Rocinha. Fotografar a realidade que vive é como criar um álbum de família, representando sua história e a de sua comunidade. “A favela é uma paisagem que reivindico como parte de mim. Quando as pessoas começam a ver a beleza em meu território, sinto que atingi um grande objetivo”, enfatiza.

Fotogracria

Trabalhos com Marcas Globais

O talento de Fotogracria chamou a atenção de grandes marcas internacionais. Entre seus projetos, destaca-se sua colaboração com a Nike, onde sua narrativa pessoal e única foi respeitada e valorizada. Kimberly considera genial que uma marca desse porte respeite e amplifique sua história. Essa interseção entre a arte e o comércio reflete um novo paradigma, onde os criadores podem contar suas próprias histórias enquanto colaboram com grandes nomes do mercado.

Exposições Internacionais de Fotogracria

As obras da Fotogracria já foram expostas em diferentes países, incluindo França e Estados Unidos. Uma de suas primeiras exposições institucionais ocorreu no Museu de Arte do Rio (MAR), na mostra “Funk” em 2023. O momento foi emocionante para Kimberly, em especial ao ver seu trabalho ao lado do renomado fotógrafo Maxwell Alexandre, também da Rocinha. “A proximidade do meu trabalho ao dele foi emocionante, e reafirma o potencial criativo de nossa comunidade”, relata. Maxwell, por sua vez, elogia o foco de Kimberly na vivência comunitária e ressalta que a fotografia dela começa com a relação íntima que tem em sua comunidade.

Desafios e Críticas na Fotografia

Como em qualquer trajetória artística, o caminho de Kimberly não é isento de dificuldades. Críticas surgiram, principalmente de quem acredita que sua obra romanticiza a vida na favela. Em resposta, ela articula que sua intenção é humanizar e não criar um enredo artificial. Kimberly defende que suas fotografias não são direções de arte, mas sim representações fiéis da realidade. “Mesmo sem perfeição, consigo criar um imaginário positivo”, afirma.

Retratando a Beleza nas Comunidades

A proposta de Kimberly em sua fotografia não é apenas documentar, mas sim mostrar a beleza que reside na Rocinha e em outras comunidades similares. Por sua lente, cada imagem comunica um sentido de dignidade e força. Ao capturar momentos do cotidiano, ela transforma a percepção externa sobre as favelas e seus moradores, demonstrando que essas comunidades também possuem uma rica cultura e histórias inspiradoras. “Meu trabalho busca fazer com que as pessoas vejam além do estigma”, explica.

O Impacto da Fotografia na Cultura Local

A presença de Fotografias que trazem representatividade e diversidade é vital para a cultura local. O trabalho de Kimberly ajuda a criar um espaço no qual diferentes narrativas possam coexistir e ser valorizadas. Sua união à crescente cena artística da Rocinha mostra como a criatividade pode prosperar mesmo em circunstâncias desafiadoras. A arte e a cultura servem como uma forma de resistência, permitindo que as vozes da comunidade sejam ouvidas e respeitadas.

A Importância da Representatividade

Quando Kimberly fala sobre sua experiência, ela ressalta que a representatividade é fundamental. Ver uma artista afro-brasileira emergir e narrar suas vivências e a de sua comunidade não só promove a discussão sobre a diversidade nas artes, mas também inspira outras pessoas a seguirem seus sonhos. Kimberly é uma prova de que, independentemente de onde você vem, é possível contar sua história e impactar o mundo ao seu redor.

O Futuro da Fotogracria e da Cultura Visual

O futuro de Kimberly na fotografia é brilhante e cheio de possibilidades. Com crescente reconhecimento, seu trabalho pode abrir ainda mais portas e catalisar mudanças significativas na percepção de comunidades marginalizadas. Ela espera continuar explorando novas narrativas e técnicas que ampliem o alcance de sua arte, sempre mantendo suas raízes firmemente plantadas na Rocinha. Kimberly é uma prova viva do poder da fotografia como ferramenta de mudança cultural e social, e sua jornada apenas começou.