Especialistas cobram cultura de prevenção contra desastres no Brasil

Desafios na gestão de riscos e gastos públicos

No contexto de um Brasil enfrentando crescentes eventos climáticos extremos, especialistas ressaltam a urgência de uma mudança de paradigma em relação à gestão de desastres. Durante a comemoração do Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), o foco ficou na necessidade de criar uma cultura de prevenção contra desastres. Rafael Loyola, da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), enfatiza que o país ainda se surpreende com riscos que já são bem conhecidos. Segundo ele, o Brasil destina mais de três vezes o montante gasto em prevenção para responder e reconstruir após desastres, refletindo uma abordagem reativa em vez de preventiva.

Para reverter esse quadro, torna-se essencial intensificar ações como monitoramento de áreas vulneráveis, melhorias na drenagem urbana, contenção de encostas, aumento da arborização e a criação de sistemas de alerta para a população. Além disso, é fundamental proteger serviços essenciais, como hospitais e escolas, contra eventos climáticos adversos.

Estratégias de adaptação e ferramentas tecnológicas

Com previsões indicativas de um segundo semestre desafiador em 2026, devido ao fenômeno El Niño, a elaboração de estratégias de adaptação requer um olhar atento às particularidades regionais e uma colaboração eficaz entre setores. André Ferretti, especialista em Economia da Biodiversidade, destaca que a adaptação climática exige ações localizadas, que considerem as especificidades de cada território, considerando riscos e vulnerabilidades específicas.

cultura de prevenção contra desastres

O país também conta com ferramentas que auxiliam na gestão de riscos, como a plataforma Natureza ON, resultado de uma parceria entre a Fundação Grupo Boticário e o MapBiomas, apoiada pelo Google Cloud. Essa ferramenta permite uma análise detalhada sobre riscos de inundações, segurança hídrica e deslizamentos, facilitando a implementação de medidas preventivas.

No planejamento urbano, torna-se crucial incorporar soluções baseadas na natureza. Com o crescimento desordenado das cidades e a consequente impermeabilização do solo, o aumento da vegetação, a restauração de áreas verdes e a criação de parques ajudam a mitigar os riscos associados às mudanças climáticas, favorecendo a qualidade de vida da população. Juliana Baladelli Ribeiro, gerente da Fundação Grupo Boticário, ressalta que, sem a devida consideração dos riscos climáticos, novos investimentos podem inadvertidamente aumentar a vulnerabilidade das cidades e aprofundar a desigualdade social no enfrentamento dos desastres.