A marginalização da Cultura nas campanhas eleitorais
Durante as campanhas eleitorais, especialmente na recente disputa presidencial de 2026, a Cultura foi notavelmente deixada de lado, ofuscada por temas como segurança pública, economia e direitos trabalhistas. A representação da Cultura nas propostas dos candidatos se limitou a registros no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o assunto praticamente não foi debatido em eventos como sabatinas ou discursos públicos. Essa desconsideração pela Cultura é preocupante, pois é um setor que, frequentemente, é o primeiro a sentir os efeitos das mudanças de gestão.
O governo anterior, sob a presidência de Jair Messias Bolsonaro, viu a Cultura ser preterida, passando de um ministério para uma secretaria especial, com redução significativa de orçamento e execução. Avaliações realizadas em 2020 por associações de servidores públicos apontaram uma “prática sistemática” de assédio institucional dentro das instituições culturais federais, evidenciando a deterioração do setor.
Impactos da gestão anterior na Cultura brasileira
Dados do Atlas Econômico da Cultura Brasileira, publicados em 2017, mostram que em 2010 o setor cultural representava cerca de 4% do PIB brasileiro, uma cifra que já havia sido destacada pelo Banco Mundial em 2008, quando especificou que a cadeia produtiva da Cultura contribuía com 7% do PIB mundial. Em 2024, o setor cultural empregava mais de 5 milhões de pessoas, o que representa 5,7% do total de trabalhadores no Brasil, segundo resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

Em meio a esse cenário, as propostas de governo dos candidatos na campanha de 2026 suscitaram um debate crucial sobre como a Cultura será tratada nas administrações. O presidente Lula, em busca de reeleição, dedicou três páginas de sua proposta de governo à Cultura, considerando-a uma

Jornalista formada pela UNIP (2009) e formada em Rádio e TV pelo Centro Universitário Monte Serrat – UNIMONTE (2007).


