Cultura ribeirinha e imaginário paraense são temas de exposição imersiva

Abertura da exposição e programação

A exposição “Xerimbabu Oré – Festa na Floresta” foi inaugurada no dia 14 de outubro, no Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), trazendo uma proposta de interação e imersão na cultura ribeirinha e no imaginário amazônico. Com entrada gratuita, a abertura oficial acontecerá no dia 16, às 17 horas, com uma programação que inclui a discotecagem “Xerimbabu Oré: do Pará ao Ceará”, que contará com a participação do DJ Desnorteado e do artista visual Luan Rodrigues, conhecido como Kambô.

O horário de visitação da exposição será de quarta a domingo, com funcionalidades específicas: às quartas, quintas e domingos, o público poderá acessar a mostra das 10h às 12h e das 13h às 17h; já nas sextas e sábados, o horário se estenderá das 13h às 18h, permitindo que ainda mais pessoas conheçam essa rica representação da cultura ribeirinha.

O universo ‘Xerimbabu Oré’

O trabalho de Luan Rodrigues remete às ilhas alagadas do Rio Tocantins, típica da cultura ribeirinha. O artista utiliza elementos visuais que reinterpretam as tradições e personagens do cotidiano amazônico, criando um ambiente que desafia a visão convencional da região. Segundo Kambô, “o intuito é despertar o olhar dos povos amazônicos em relação a nós mesmos”, evidenciando a multiplicidade de realidades presentes na Amazônia.

cultura ribeirinha

A expressão “Xerimbabu Oré” traz uma simbologia profunda: “xerimbabu” significa algo querido na língua tupi-guarani e “oré” refere-se à ideia de coletividade, sugerindo que todos fazem parte desse universo encantado. Essa narrativa artística pretende conectar o público com a cultura ribeirinha de forma sensorial e contemporânea, utilizando tecnologia visual para criar uma nova forma de apreciação da Amazônia.

A estética e a técnica de Luan Rodrigues

Luan Rodrigues é um artista que combina técnica e inovação em suas obras, explorando o que ele mesmo define como “transmutação de arte”, onde a pintura se transforma em experiências interativas. Em “Festa na Floresta”, ele apresenta um filme que não apenas exibe a arte, mas torna o espectador parte ativa da narrativa. Assim, a cultura ribeirinha se torna uma experiência sensorial, acessível e de fácil compreensão.

O artista também destaca a necessidade de dialogar sobre as representações da Amazônia, que muitas vezes são vistas de maneira primitivista. “Existem muitas Amazônias dentro da Amazônia”, afirma ele, ressaltando as ricas e variadas influências culturais que habitam a região. Suas obras são um convite à reflexão, disseminando a riqueza e a complexidade das práticas da cultura ribeirinha.

Conexões com a cultura ribeirinha

A vida ribeirinha é marcada pela dependência dos rios, fundamentais na rotina cotidiana das comunidades, como descrito por Luan Rodrigues. Em suas obras, ele retrata a importância da canoa e da travessia, elementos essenciais para a mobilidade e a conexão entre pessoas e lugares na cultura ribeirinha. Essa experiência de deslocamento pelas águas simboliza a vivência e a resistência da prática cultural à qual ele pertence.

Na exposição, os visitantes são convidados a embarcar nessa jornada, onde poderão vivenciar e refletir sobre o cotidiano dos ribeirinhos. A interação com as obras promove uma compreensão mais profunda das realidades amazônicas, reforçando a importância da cultura ribeirinha como parte vital da identidade brasileira.